Kuaa Ha'e Mbaraete na língua guarani significa conhecer e fortalecer. Esse nome nos foi dado pelos índios guarani da Aldeia Tekoa Mboy-Ty de camboinhas, niterói-RJ.
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segunda-feira, 23 de agosto de 2010
A história se repete ...
A mais de oito mil anos habitavam a região os homens pré-históricos, os ancestrais indígenas e os povos coletores, caçadores e pescadores que deixaram grandes vestígios arqueológicos. Vieram os índios Tamoios, grupos tupis que dominava desde Cabo Frio até a região de Bertioga, em São Paulo. Tempos depois os Tamoios e traficantes franceses de pau-brasil expulsaram os índios Temiminós que habitavam originalmente a Ilha de Paranapuã, hoje Ilha do Governador (terra natal de Arariboia) e estes se transferem para a capitania do Espírito Santo onde são catequizados pelos jesuítas. Lá ajudaram os portugueses a expulsar os invasores holandeses, tempos depois ajudam a expulsar os franceses. Como recompensa pela vitória os portugueses ofereceram ao líder dos Temiminós, o cacique Arariboia ("Cobra Feroz", no idioma tupi. Arariboia também possuía um nome cristão de batismo, Martim Afonso de Souza) a porção direita da entrada da Baía de Guanabara, Niterói, que significa "Água Escondida" em tupi. Com a doação da sesmaria, Arariboia levou sua tribo para a vila de “São Lourenço dos Índios”, mais somente seria oficializada em 1573, data que consta no brasão da cidade de Niterói. A cidade foi fundada pelo cacique Arariboia onde Niterói é a única cidade brasileira que foi fundada por um índio. Niterói tem em sua história uma forte ligação da cultura indígena nos bairros e acidentes geográficos da cidade, como por exemplo, Icaraí (água ou rio Sagrado); Pendotiba (abundância de Palmeiras com cocos); Itaipu (água que sai do meio das pedras); Praia de Camboinhas, bairro nobre de Niterói localizado às margens da lagoa de Itaipu e em contato com o oceano Atlântico, limitando-se também com Piratininga e Itaipu. Esse lugar possui o sambaqui mais antigo do Brasil, com cerca de 8 mil anos de existência. A palavra sambaquis - de samba (mariscos) e eki (amontoados) em Tupi são morrotes deixados pelos povos sambaquieiros, e significa mariscos. São sítios religiosos, é onde estão seus mortos há séculos, onde os pajés conversam com os espíritos. Em março de 2008 um grupo de índios guarani vindos de Paraty, litoral sul fluminense, montou uma pequena aldeia com quatro ocas e uma escola no “costão” da praia de camboinhas. A intenção seria para travar a especulação imobiliária nas áreas não edificadas onde empreiteiras queriam construir 420 casas, e conseqüentemente destruir a ecologia das lagoas da região e os antigos cemitérios. O cacique Darci Tupã alega que ali há cinco sambaquis (cemitérios indígenas) e que desde 2001 vem alertando para isso, mais ninguém os ouviu. "Nossas raízes estão aqui, os sambaquis precisam ser preservados, essa terra é nossa, vamos implantar um sistema sustentável nas lagoas de Itaipu e queremos que esta escola diferenciada seja reconhecida, a primeira língua é o guarani, depois o português”. Vitimados por incêndio criminoso em 18/07/2008 onde toda aldeia foi destruída, os guarani não arredam pé do local, esperam a demarcação de uma reserva indígena para impedir que outros prédios sejam construídos sobre os sambaquis.
(Por: Liliam Carvalho)
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