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quarta-feira, 8 de setembro de 2010

A história se repete II ...

A Aldeia Tekoá Itarypú (do guarani tekoá, "aldeia", ita, "pedra", y, "água" e pu, "som"), que foi instalada em março/2008 na margem de cemitério indígena é um sítio arqueológico existente em Camboinhas, bairro residencial bastante valorizado da Região Oceânica de Niterói, foi vítima de incêndio criminoso em Julho/2008. Em pesquisa aos jornais locais da época encontramos relatos da situação do bairro antes da vinda dos índios guarani de Paraty-Mirim. Esses relatos nos mostram o que realmente provocou a ocupação dos índios ao local onde estão assentados até hoje em Duna Pequena.
Até meados de 1978 a Costa de Itaipu e do Oceano Atlântico era originalmente habitado por pescadores. A partir desta data a empresa Veplan Imobiliária teve aprovado a exploração arqueológica para projeto de urbanização da praia e margens da lagoa de Itaipu. Sítios arqueológicos e sambaquis foram aplainados a trator para facilitar o parcelamento e a demarcação dos lotes, acabaram com o extenso areal quebrando o ciclo natural de lagoa de arrebentação que existia em Itaipú, as pitangueiras, cajueiros e os coqueiros que existiam sumiram, uma marina seria construída ao lado de um apart-hotel, e começaram a lotear a área para fins de investimento imobiliário trazendo grande crescimento populacional que liderou as estatísticas da cidade entre os anos de 1980 e 1991. Segundo relatos dos índios, pescadores, estudantes, associações de sitiantes e da mídia local, os indígenas, desde 2000 vinham reivindicando através de manifestações públicas as terras de seus antepassados. Várias etnias indígenas chegaram a camboinhas trazendo suas danças e seus cantos rituais. Buscavam a preservação daquelas áreas e eram contra a especulação imobiliária e políticos mal intencionados. Os membros líderes e xamãs das famílias Guarani tomaram a decisão de retornar ao Espaço Sagrado deles e ocupar o local devido a conflitos na aldeia de Paraty-Mirim, e juntamente com outras etnias invocavam seus espíritos em busca de proteção aos sambaquis (cemitérios indígenas) daquele lugar. Durante anos os ambientalistas da cidade de Niterói vinham se mobilizando para a preservação da orla da lagoa de Itaipu, com a vinda dos índios àquela região a luta ambiental se fortaleceu contra a cobiça de alguns empreiteiros. A Família Guarani passou a ocupar o lote de uso do Projeto Meu Garoto, de George Rebello, que promovia aulas de Windsurfe e o replantio da mata atlântica nativa. O que se soube é que este velejador tinha consciência de que somente os índios poderiam deter o feroz avanço imobiliário naquele lugar, portanto a guarderia da extinta Associação de Velejadores estaria sendo muito bem ocupada.
O documento do Doutor em Antropologia, Tonico Benites, índio Guarani originário de Mato Grosso do Sul explica: “Em decorrência disso, este macro família em foco já conhecia há muitos anos este local como espaço de luta pelos direitos indígenas para garantir a sua sobrevivência sociocultural. Por essas razões, quando eles entraram em disputa tensa e acirrada direto com outras famílias Guarani pelos espaços de terra e fontes de recursos na pequena aldeia Itaxi, localizada no município de Paraty-RJ, as famílias inteiras vieram se assentar em camboinhas no mês de fevereiro de 2008. Este fato de mobilidade é comum entre as famílias Guarani quando rompe definitivamente a aliança política interétnica e boa relação com os seus vizinhos e, justamente para evitar conflito freqüente e violência física, portanto o grupo se afasta de seus vizinhos com quem entrou em desavença, passando a procurar outros espaços de terra e nova boa aliança. Dessa forma, historicamente conseguiu viver como etnia Guarani durante 500 anos e, desse modo ainda consegue equilibrar os desentendimentos constragentes, estes fatos é uma das estratégias culturais étnicos, passando mantiver a sua cultura vital diferenciada que é evitar o pior conflito, violência física, sobretudo, a dispersão de seus integrantes”. http://maricaense.com.br/wordpress/?p=2384
A família guarani constituída de Anciões, jovens e muitas crianças passou a construir suas “ocas” na restinga local - Duna Pequena com apoio da Funai, Funasa e do CCOB, enfrentando as dificuldades de sobrevivência e da não-aceitação da vizinhança, da associação de moradores do bairro e das empreiteiras.

Por: Liliam Carvalho.

Um comentário:

  1. Osmarli, Paulo e Patrício, sejam bem-vindos, sua participação é importante para o bom desenvolvimento deste blog.
    Beijos a todos.

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