No dia 19 de abril de 2008, Dia do Índio, os guarani inauguraram as “Ocas”, a “Opy” (Casa de Reza) e a Escola Indígena Guarani, e festejaram o decreto que havia sido assinado naquela semana pelo governador Sérgio Cabral Filho que transforma em área de proteção arqueológica os 181 hectares (1,81 milhão de metros quadrados), onde se localiza a aldeia, nos limites do Parque Estadual da Serra da Tiririca, localizado entre os municípios de Niterói e Maricá. A área preservada vai da Ilha do Pontal, passando pela Praia do Sossego, Sambaqui de Camboinhas, Duna Pequena e Duna Grande. O então secretário estadual de Ambiente, Carlos Minc afirmou, “que a área considerada sagrada pelos índios por abrigar cinco sambaquis (cemitérios indígenas), tornou-se unidade de preservação permanente, a constituição garante esse direito e a Justiça Federal. O local é alvo de especulação imobiliária e chegou a receber autorização para a construção de 900 prédios”. Infelizmente seis hectares (60 mil metros quadrados) não entraram neste decreto, o que dá margem às construtoras continuarem com construções naquela área, mais os sambaquis mais importantes para os índios em seu solo sagrado foi preservado.
No dia 18 de julho de 2008, enquanto os índios guarani estavam reunidos em outro ponto do bairro reivindicando o reconhecimento da área de sambaqui deu-se alarme de incêndio na aldeia, tudo foi incendiado rapidamente. Poucas índias estavam na aldeia e correram para salvar três bebês que estavam numa oca e outras crianças que brincavam no terreiro, apenas o indio Joaquim Karaí Benite, de 43 anos estava no local, ele entrou na oca em chamas para retirar um indiozinho e teve queimaduras de segundo grau nas costas e no braço esquerdo. Oito ocas estavam em chamas em pouquíssimo tempo. Vidas humanas foram colocadas em risco, a escola, a cozinha, todos os eletrodomésticos, roupas, objetos pessoais, documentos, livros que guardavam segredos da cultura guarani e todo material escolar, um instrumento musical que tinha 320 anos, objetos sagrados que estão ali por mais de trezentos anos, tudo virou cinzas. O cacique Darci Tupã vinha denunciando as ameaças que a aldeia estava sofrendo dos opositores nos dois primeiros meses do ano ameaçando-os de dia e de noite, e que se tornou realidade. O Cacique Darci perguntava: “Porque fizeram isso? Nós estamos aqui para preservar, pra cuidar desse lugar. A gente só quer viver em Paz! Nós só queremos ter o direito de viver nesse lugar que foi dos nossos ancestrais!”. De acordo com a Polícia Civil, o incêndio foi criminoso. A pajé Lídia conta que "logo depois apareceram funcionários do instituto que cuida das florestas no governo estadual dizendo que a gente não podia mais continuar aqui, que tínhamos que sair. Nós batemos pé que não, e eles foram embora falando que a responsabilidade era toda nossa”. Devido o crime ser com índios, a Polícia Federal foi acionado, o que deve ter assustado os autores do delito. Mais por incrível que parece, esta situação criminosa provocou uma reação inesperada da população, dos meios de comunicação, profissionais liberais, os ambientalistas, vários artistas manifestaram seu apoio, vários setores da sociedade organizada e da sociedade como um todo em solidariedade aos indígenas guarani daquela aldeia abraçando-os e auxiliando-os a reconstruírem suas ocas e a ficarem na área que é deles. No dia 13 de setembro de 2008 a aldeia foi reinaugurada e rebatizada com o nome Tekoá Mboy-Ty, que quer dizer – Aldeia de Sementes!
Por: Liliam Carvalho


Regina Simões, seja bem-vinda a este blog, fico contente por você gostar dos índígenas, vamos interagindo em prol dos índios guarani.
ResponderExcluirGrande beijo.